Eu nasci no dia 06/06/1988, quase de 10 meses, em uma segunda-feira. Minha mãe descobriu aí que não entra em trabalho de parto. Descobri que se meu sexo fosse outro, meu nome seria Matheus. Mas como nasci mocinha, acabei herdando o feminino do segundo nome do meu pai. Renata. Ja nasci renascida. Ou pelomenos, este é o significado do meu nome.

Passei a minha infância em Angra dos Reis, onde morei até os meus 13 anos. E é aqui que começa tudo isso. Tenho uma irmã 3 anos mais nova, que hoje é o amor da minha vida, mas na infância, ela só atrapalhou minha paz! Eu era incapaz de mentir. Ela, por sua vez, me batia e chorava. Eu levava a culpa, mesmo negando tudo. Cansei de ficar de castigo sem culpa nenhuma até minha mãe descobrir. Quando digo que já deveria ter me acostumado com me dar muito mal sem ter culpa nenhuma, eu digo com razão, porque isso me persegue desde os meus primeiros anos de vida.

Boa parte dessa minha infância eu passei dentro de embarcações de turismo. Tenho lembranças lindas do mar calmo de Angra, daquele cheiro de maresia, de ir de casa para o centro de barco. É estranho como as coisas são usurpadas das nossas vidas. De uma hora para outra, acabou dando tudo errado. Meus pais, que estavam batalhando bem, correndo atras, foram sabotados pelo destino e a nossa vida começou a mudar.

Umas das primeiras lições que eu aprendi, foi que não devemos desistir das coisas, mesmo quando da tudo errado. Se desistirmos, nossa vida pára, e depois, a força necessária para sair da inercia será muito maior.

De uma casa própria e duas empresas da família, passamos a morar na casa da minha avó materna. Meu pai desempregado e tentando matar o ócio em casa, enquanto minha mãe trabalhava quase que escravamente para que pudéssemos estudar em um bom colégio e para manter as contas pagas. Até que surgiu uma luz de irmos para Porto Seguro, mas esse processo será falado mais tarde.

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Eu acho que sou uma das únicas pessoas que não gosta tanto assim de lembrar da infância. Apesar de coisas engraçadas e divertidas, eu odiava a sensação de dependência, de nunca poder resolver meus próprios problemas. Mais tarde eu fui percebendo que normalmente nossos problemas mais complicados estarão atrelados a outras pessoas. E mesmo adultos, seremos incapazes de resolvê-los.

Quando eu era criança, eu tinha preocupações diferentes das outras crianças, e nunca gostei de brincar de bonecas. As meninas me odiavam. Nessa época que você percebe que o ser humano nasce mau. Principalmente as meninas. Tudo é uma grande proliferação de rosa e cheiros enjoativos, com cabelos de nylon e purpurina. Mas nenhum coração.

Eu gostava de futebol e de me sujar, de jogar video-game e ouvir música. E eu não sei porque essa conduta era tão estranha assim na época. Na verdade, eu não sei porque essa conduta é tão mal vista até hoje em dia. Porque ela está no meu modo de vestir e agir. E sempre vai ter alguém para me julgar errado, mesmo dentre as pessoas que já me conhecem. Sempre vai ter alguém para não entender o que eu digo e tentar usar isso contra mim. Sempre.

Eu lembro que uma vez, eu com esse meu senso justiceiro, resolvi que ia acabar com todas as baratas do condomínio. Me juntei com um amiguinho que morava na mesma rua, pegamos escondido de nossas mães: desinfetantes, inseticidas, pimenta e, se eu não me engano, sabão em pó. Pegamos um balde, misturamos aquele coquetel da justiça la dentro e despejamos em todos os bueiros da rua. Resultado: de boas intenções o inferno está cheio! Não é preciso pensar muito para descobrir o que aconteceu. Eu lembro que foi uma infestação de baratas absurda por todo o condomínio e nossas mães piraram por causa disso.

Talvez eu esteja achando meu primeiro defeito. Senso de justiça e franqueza em excesso.

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