Sobre todos os meus problemas…

Eu nunca me achei uma pessoa dificil de entender. Minhas vontades sempre foram simples. Meu sim sempre foi sim e meu não sempre foi não. Qual é a dificuldade de entender isso? Alguns caras não entendem isso, sei lá porque. Já ouvi dizer que tem gente que diz não querendo dizer sim e tudo mais, mas por que? Que tipo de absurdo é esse? As pessoas acham que os outros são adivinhos? De qualquer maneira, EU NÃO SOU DESSAS! Já fui agarrada de maneiras esdruxulas mesmo dizendo não e demonstrando muito bem que eu não queria, fora outras situações bizarras que eu me livrei.

Que fique a dica para você que mente sobre o que realmente quer, você está me arrumando problemas! E acredito que tenha mais gente sofrendo com isso também, portanto párem com isso. Nem sempre suas mentiras fazem mal só a você. Sim, não existe “mentirinha”! Mentira é mentira e ponto.

Na mesma proporção, meus problemas aumentam sempre que eu começo a ouvir opiniões demais. Impressionante como tudo pode estragar quando alguem que consegue botar uma ideia na sua cabeça. Quando eu era mais nova eu era mais fechada, na verdade eu sempre fui assim, mas tiveram fases que não, justamente porque eu ouvi os outros. Transformei minha vida num livro aberto e todos acharam que poderiam dar opinião. Não é preciso pensar muito para saber como isso era um inferno. E se eu me abriria de novo? Não, obrigada. As pessoas não estão preparadas para influenciar em nada na vida das outras. Não se enganem, eu continuo ouvindo o que os outros tem a dizer, peço opiniões quando preciso, mas eu não conto mais nada da minha vida para ninguém.

Eu só luto pelo que acredito, se não acredito, desisto antes de tentar e não tenho nenhum problema com isso. Se eu acredito, há motivo para tal. Não sou desmiolada, nem nunca me pautei em ilusões. Portanto, se me ver determinada a fazer algo, se não for me ajudar, por favor, não me atrapalhe! Eu não vou desistir de nada que não tenha chegado ao fim. Enquanto houver pelo que lutar eu vou lutar. Desistir porque é dificil é coisa de gente fraca. Eu acredito que determinação, planejamento e fé possam te trazer qualquer coisa que valha a pena. E se eu não consegui, a culpa foi minha. Da próxima vez, tentarei outra coisa que esteja dentro da minha capacidade.

Se eu fosse deixar uma dica para vocês, seria para ouvir todas as opiniões que te derem, mas só acatar a que tem a ver com você. Como já disse aqui antes, por melhor que seja a intenção, coisas que o seu amigo ou sua família acham que são boas, podem ser horriveis para você. Somos individuos e pensamos diferente uns dos outros. Mas ouça sim, mas não acate tudo.

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Diferenças e padrões..

Eu sempre soube que era diferente. Diferente demais até para me identificar com os diferentes, diferente demais pra me sentir confortável em qualquer lugar. Minha infancia, não passei fome, não tive pais separados, não tive familia ausente, mas eu não me enquadrava.

Meninas brincavam de boneca, meninos jogavam bola, eu odiava bonecas e durante muito tempo não pude jogar bola. Nunca gostei de meninas. Sempre abominei todas elas e aquele mar de rosa e barbies purpurinadas com aquele tom de desprezo velado sempre que se referiam a alguem diferente. Sempre odiei aquelas frescuras, aquele medo de bichinho e de se sujar. Sempre odiei. Odiei tanto que prometi que nunca seria parecida com aquilo.

Eu sabia que a minha diferença era mais grave, quando começaram a achar que eu era lésbica. Para o desespero dessa sociedade escrota, eu não gosto de meninas. Mesmo. Todo mundo me julgou sem nem pensar. Eu sofri buylling por algo que eu nunca fui. E eu sei que demorou um tempo para que as pessoas mais proximas de mim ficassem convencidas do que eu realmente gosto. Hoje em dia eu não ligo mais para o que pensam, na verdade, acho que nunca liguei.

Eu odeio padrões e por isso os observo com muito cuidado. Eu não sei porque, mas as pessoas normalmente seguem padrões, tão naturalmente que nem contestam se aquilo é realmente parte delas. Essa coisa de ter que agir de uma forma porque fulano de tal fez assim e deve dar certo. Essa coisa de gostar de coisas que “pessoas normais” gostam, de mulheres lerem revistas de fofoca ou homens terem que gostar de futebol.

Eu sempre me senti deslocada, nem sempre estive ali presente o tempo todo. Por várias vezes eu estive em lugares diferentes com a mente e o corpo. Em várias e incontáveis situações.

Hoje em dia, eu agradeço a Deus por ter encontrado outros deslocados. Eles não se parecem comigo, nem eu com eles, mas já passamos por coisas parecidas e nos sentimos bem, deslocados ou não, na presença uns dos outros. E eu sei que existem outros por aí, com medo e procurando padrões em quais possam se enquadrar. Lamento informar, mas não encontrarão. Busquem ser felizes como são e não como dizem que vocês devem ser. O que é melhor pro seu coleguinha, pode ser uma merda pra você.

No mais, eu odeio que me enquadrem, me limitem ou me julguem errado, mas eu sei que isso sempre vai acontecer.

Sobre o meu nascimento e algumas notas sobre a infancia

Eu nasci no dia 06/06/1988, quase de 10 meses, em uma segunda-feira. Minha mãe descobriu aí que não entra em trabalho de parto. Descobri que se meu sexo fosse outro, meu nome seria Matheus. Mas como nasci mocinha, acabei herdando o feminino do segundo nome do meu pai. Renata. Ja nasci renascida. Ou pelomenos, este é o significado do meu nome.

Passei a minha infância em Angra dos Reis, onde morei até os meus 13 anos. E é aqui que começa tudo isso. Tenho uma irmã 3 anos mais nova, que hoje é o amor da minha vida, mas na infância, ela só atrapalhou minha paz! Eu era incapaz de mentir. Ela, por sua vez, me batia e chorava. Eu levava a culpa, mesmo negando tudo. Cansei de ficar de castigo sem culpa nenhuma até minha mãe descobrir. Quando digo que já deveria ter me acostumado com me dar muito mal sem ter culpa nenhuma, eu digo com razão, porque isso me persegue desde os meus primeiros anos de vida.

Boa parte dessa minha infância eu passei dentro de embarcações de turismo. Tenho lembranças lindas do mar calmo de Angra, daquele cheiro de maresia, de ir de casa para o centro de barco. É estranho como as coisas são usurpadas das nossas vidas. De uma hora para outra, acabou dando tudo errado. Meus pais, que estavam batalhando bem, correndo atras, foram sabotados pelo destino e a nossa vida começou a mudar.

Umas das primeiras lições que eu aprendi, foi que não devemos desistir das coisas, mesmo quando da tudo errado. Se desistirmos, nossa vida pára, e depois, a força necessária para sair da inercia será muito maior.

De uma casa própria e duas empresas da família, passamos a morar na casa da minha avó materna. Meu pai desempregado e tentando matar o ócio em casa, enquanto minha mãe trabalhava quase que escravamente para que pudéssemos estudar em um bom colégio e para manter as contas pagas. Até que surgiu uma luz de irmos para Porto Seguro, mas esse processo será falado mais tarde.

 …

Eu acho que sou uma das únicas pessoas que não gosta tanto assim de lembrar da infância. Apesar de coisas engraçadas e divertidas, eu odiava a sensação de dependência, de nunca poder resolver meus próprios problemas. Mais tarde eu fui percebendo que normalmente nossos problemas mais complicados estarão atrelados a outras pessoas. E mesmo adultos, seremos incapazes de resolvê-los.

Quando eu era criança, eu tinha preocupações diferentes das outras crianças, e nunca gostei de brincar de bonecas. As meninas me odiavam. Nessa época que você percebe que o ser humano nasce mau. Principalmente as meninas. Tudo é uma grande proliferação de rosa e cheiros enjoativos, com cabelos de nylon e purpurina. Mas nenhum coração.

Eu gostava de futebol e de me sujar, de jogar video-game e ouvir música. E eu não sei porque essa conduta era tão estranha assim na época. Na verdade, eu não sei porque essa conduta é tão mal vista até hoje em dia. Porque ela está no meu modo de vestir e agir. E sempre vai ter alguém para me julgar errado, mesmo dentre as pessoas que já me conhecem. Sempre vai ter alguém para não entender o que eu digo e tentar usar isso contra mim. Sempre.

Eu lembro que uma vez, eu com esse meu senso justiceiro, resolvi que ia acabar com todas as baratas do condomínio. Me juntei com um amiguinho que morava na mesma rua, pegamos escondido de nossas mães: desinfetantes, inseticidas, pimenta e, se eu não me engano, sabão em pó. Pegamos um balde, misturamos aquele coquetel da justiça la dentro e despejamos em todos os bueiros da rua. Resultado: de boas intenções o inferno está cheio! Não é preciso pensar muito para descobrir o que aconteceu. Eu lembro que foi uma infestação de baratas absurda por todo o condomínio e nossas mães piraram por causa disso.

Talvez eu esteja achando meu primeiro defeito. Senso de justiça e franqueza em excesso.